Ir para conteúdo 1 Ir para menu 2 Ir para busca 3 Ir para rodapé 4 Acessibilidade 5 Alto contraste 6

---

  • ?
  • ?

---

  • ?
  • ?

Secretaria de Educação, Cultura e Esportes > Departamento de Cultura

Espaço Memória

Publicado em 15/04/2021 às 10:21 - Atualizado em 15/04/2021 às 10:19

O projeto “Espaço Memória” consiste em apresentar alguns fatos relacionados à história local, destacando, nesta mostra, principalmente os aspectos relacionados ao início e passos seguintes da trajetória política e administrativa de Araranguá, incluindo, no tempo e no espaço, as edificações que sediaram os governos. Sendo dedicada às comemorações do Dia do Município, a mostra não abarca, tampouco aprofunda todas as informações já registradas e publicadas, mas quer estimular novas buscas referentes ao tema, inclusive com a contribuição dos visitantes, entre eles servidores municipais aposentados e na ativa, que por certo guardam importantes contribuições para novos estudos.

 

1880: Criação do município de Araranguá – 3/4/1880

O distrito de Campinas e a paróquia eram singelos, mas já possuíam uma pequena urbanidade e discreta movimentação de pessoas, destacando-se na paisagem o trânsito de carroças, carros de bois e cavaleiros, algumas casas de moradias e outras de comércio. Enquanto isto, no vasto interior, o que se via, além das imensas florestas, eram significativas áreas ocupadas por atividades de plantio e pecuária. Algumas fotografias do início do século XX ajudam a ilustrar um pouco o cenário daquela época.

  

Araranguá emoldurado por um vasto cinturão verde. Foto B. S. Campos. Acervo: AHA.

 

Área central de Araranguá no início do século XX.. Foto B. S. Campos. Acervo: AHA

 

1883: Primeira legislatura e instalação do município

• A primeira eleição para a composição do Legislativo municipal de Araranguá ocorreu no dia 1/7/1881. A partir daquele momento, inicia-se a estruturação mínima necessária para a instalação definitiva do município, o que ocorreria na mesma ocasião da posse dos vereadores para o quadriênio 1883/1886.
• No dia 28/2/1883 tomava posse a primeira legislatura da Câmara de Vereadores de Araranguá, data também da efetiva instalação do município.
• Os vereadores, uma vez empossados, tornaram-se responsáveis pelo início da organização administrativa de Araranguá, tendo como base legal a Constituição Imperial de 1824, que determinava às câmaras de vereadores, não apenas a função legislativa, mas também executiva. Esta situação encontra mudanças somente após a promulgação da primeira Constituição da República, em 1891, seguida pela Lei Orgânica Municipal de 1895, que determinou atribuições específicas de Legislativo aos vereadores e de Executivo à superintendência.


Câmara de Vereadores da Vila de Nossa Senhora Mãe dos Homens do Araranguá - Legislatura 1883/1886 - Eleição: 1/7/1881

Vereadores:
Porphirio Lopes de Aguiar - Presidente
José Jorge de Bittencourt - Presidiu interinamente a primeira sessão
João Gonçalves Perfeito
João José Vieira da Rocha
João Vieira Maciel Chulla
José Antônio Fernandes de Souza
Inácio Aureliano da Silva

Correspondência do presidente da província, Teodureto Carlos de Faria Souto, acusando o recebimento de ofício sobre a instalação do município e posse dos vereadores. Acervo: AHA.

Correspondência recebida pelo primeiro governante de Araranguá, Porphirio Lopes de Aguiar, no dia 10 de março de 1883. Acervo: AHA

 

1886: Planificação do município de Araranguá

Um dos primeiros passos na estruturação de uma cidade é a sua organização territorial, onde serão definidos os espaços urbanos e rurais, traçados de ruas, criação de praças, áreas comerciais, industriais e de moradia. No entanto, na maioria dos casos, os planejamentos, ou inexistem, ou são elaborados tardiamente para corrigir os problemas que a cidade enfrenta. Segundo Hobold (1994), “Araranguá encontrou bem melhor sorte ao receber das mãos do engenheiro Antônio Lopes de Mesquita, em 1º de setembro de 1886, uma planta com o título sugestivo de ‘Planta da futura cidade de Araranguá’, dotada de arruamento baseado em moderna urbanística, com amplos logradouros públicos, avenidas e ruas largas, simétricas e retilíneas”. O projeto de Mesquita causou estranheza entre os moradores da época. Como imaginar que ruas para o tráfego de carroças e carros de bois tivessem um traçado tão largo, bem diferente das estreitas ruelas de Desterro e Laguna? No entanto, com o tempo, o que parecia ousado demais, foi ganhando destaque como exemplo de planejamento, o que mais tarde rendeu à cidade o sugestivo título de “Cidade das Avenidas.”

Fac-símile da cópia original da planta de Araranguá, desenhada por Oscar Boronski em 1892. Doação: Alexandre Rocha, recebida de Paulo Hobold. Acervo: AHA.

Antônio Lopes de Mesquita. Foto: autor desconhecido
Acervo: AHA

 

Paço municipal em cada tempo e local.

Primeiro Paço Municipal, local de funcionamento da Superintendência até a década de 1920. Localizava-se na esquina sudoeste da Praça Hercílio Luz. Acervo: AHA

Paço municipal inaugurado em 1929. Foto autor desconhecido.
Acervo: AHA

 

Sobre sua chegada para assumir a administração municipal em 31/1/1970, disse o ex-prefeito Gercino Pasquali (Jornaleco, dezembro/2020).

“Não havia condições de entrar lá dentro. A prefeitura tinha um gabinete do prefeito e os funcionários trabalhavam em pé, porque não tinha lugar pra colocar uma cadeira. Eu tinha 100 funcionários na ativa e 100 aposentados. (…) Eu assumi ali e aluguei aquela casa paroquial, do cônego Paulo. E ele, como era um entusiasta por Araranguá, um lutador, nos cedeu a casa paroquial e montamos a prefeitura modelo. Naquela época era modelo, né?...”

 

Paço Municipal provisório, 1970. Foto autor
desconhecido. Acervo:AHA

E segue o ex-prefeito:

“Depois, o que me substituiu, o Lino Jovelino Costa, foi lá pra quase em frente ao ginásio dos padres, onde tem um restaurante ali (ao lado do Edifício Centenário). Alugou ali e ficou até terminar a nova (atual, inaugurada em 1976). Eu comecei a prefeitura nova.”

 

Terreno onde o Paço Municipal funcionou até 1976, hoje com nova edificação.
Foto Edson da Silva Vieira. Acervo: AHA.

 

Sobre a construção do novo edifício, destaca Pasquali:

“Fiz as bases todas, e o Lino terminou a prefeitura nas mãos do Alírio Monteiro, saudoso Alírio, muito dinâmico. Era para ser na esquina, mas ninguém nunca teve dinheiro. Mas aquela área ali, troquei pela prefeitura velha. Aí o povo dizia - isso aí é bom falar - ‘Sair do Centro pra ir pro interior, onde é que já se viu, tirar a prefeitura do centro da cidade?’ Veja bem a mentalidade, aí não é possível, né? A prefeitura velha foi trocada com o Pedro Bertoncini, de Orleans. Ele era dono do terreno ali”.

Atual Paço municipal, inaugurado 1976. Foto: autor desconhecido.
Acervo AHA.

 

Curiosidades da urbanidade de Araranguá no final do século XIX e início do século XX


As Leis que aprovam a nominação de alguns dos mais conhecidos logradouros de Araranguá.

No início do século XX, as principais ruas, avenidas e praças de Araranguá, não possuíam os nomes de hoje. Na época, a prioridade era identificar os logradouros, de forma a facilitar a legalização dos lotes, agilizando as vendas e as cobranças de impostos, como também disponibilizar um endereço para correspondências e encomendas, especialmente para atender ao comércio. Assim, as poucas ruas centrais, que ainda deveriam ser ampliadas e lançadas aos bairros, receberam apenas números, acompanhados de uma referência de sua localização, como por exemplo, quem morava ali, ou que lote fazia fronteira com a rua, quais os moradores que residiam em suas extremas, etc. Somente mais tarde os números seriam substituídos por nomes de vultos da história e datas importantes, conforme legislação da época.


“Projeto nº. 2
O Conselho Municipal de Araranguá decreta:
Art 1º Fica denominada “Praça Dr. Hercílio Luz” o maior largo desta cidade, onde se acha a
Igreja Matriz;
Art 2º Ficam denominadas “José Collaço” a Rua Oitava desta cidade;
A Rua número 6, denominada “15 de Novembro”
A Rua número 7, denominada “3 de Abril”;
A Rua número 9, denominada “Coronel João Fernandes”;
A Rua número 11, denominada “Capitão Pedro Fernandes”;
Art 3º Ficam revogadas as disposições em contrário.
Sala das sessões do Conselho Municipal, em 5 de janeiro de 1922”.

   

Convidamos você para o despertar de suas lembranças. Escreva suas informações, registre suas memórias sobre fatos da administração municipal. Na sequência, deposite suas anotações na caixa ao lado. Juntos ajudaremos a preservar a história construída por tantos protagonistas, funcionários, políticos e pela comunidade.

 

Historiadora responsável pela pesquisa, texto e curadoria: Micheline Vargas de Matos Rocha
Fontes consultadas:
HOBOLD, Paulo. A História de Araranguá.1994; 2005.
CAMPOS, Bernardino de Sena; DALL‟ ALBA, João L (org.). Memórias do Araranguá. 1989
Acervo do Arquivo Histórico Araranguá.
Jornaleco, número, edições de 2012.
ROCHA, Micheline Vargas de. Memória do Poder Legislativo de Araranguá. Câmara de
vereadores de Araranguá, 2012.


Realização:
Prefeitura Municipal de Araranguá
Secretaria de Educação, Cultura e Esportes
Departamento de Cultura

 

O Projeto "Espaço Memória" nessa edição trilhou também, a história do Bom Pastor e do SAMAE

Hospital do Bom Pastor

Muito tempo antes de Araranguá ser contemplado com o primeiro hospital, a população era atendida por médicos viajantes, parteiras, boticários e benzedeiras. Era desta forma que a cura das enfermidades chegava, acalentando assim os corações aflitos em momentos de dor.
A luta dos habitantes por melhores condições na saúde pública ocorria paralela ao cenário aqui descrito, até que, em maio de 1928, é aprovado o estatuto do “Hospital do Bom Pastor”, que entraria em funcionamento em sede provisória até o seu espaço definitivo em 1951. Local de muitas histórias e memórias contadas por enfermeiras, médicos e funcionários, o hospital guarda ainda lembranças dos pacientes que recebeu ao longo do tempo, assim como de tantos pais que lá buscaram o filho recém-nascido. Suas paredes, portas, janelas e o velho piso, testemunharam o sofrimento, mas também a alegria do nascimento e da cura.

 

Antigo Bom Pastor - Foto: José Genaro Salvador 

 

Inauguração. (E) Antônio de B. Lemos; (C) Gov. Irineu Bornhausen; (D) pref. Walter Belinzoni. (Atrás, da E) Artur Campos e Ramiro Ulisséa. Foto: J.G. Salvador

Inauguração do Hospital Bom Pastor. Foto: José G. Salvador

Irmãs da direção e atendimento. Foto: José G. Salvador

Livro de entrada de pacientes do Hospital Bom Pastor - Décadas de 1960 e 1970 . Acervo: AHA

 

Historiadora responsável pela pesquisa, texto e curadoria: Micheline Vargas de Matos Rocha
Fontes consultadas:
Acervo do Arquivo Histórico Araranguá.
ROCHA, Alexandre. JM Memória, 1998.
________________. Crônicas publicadas no Jornaleco, 2012.

 

Realização:
Prefeitura Municipal de Araranguá
Secretaria de Educação, Cultura e Esportes
Departamento de Cultura

 

Samae


Em 1848, o presidente da Província de Santa Catarina nomeou uma Comissão encarregada de escolher o melhor lugar para a sede da Freguesia de Nossa Senhora Mãe dos Homens e do distrito de Campinas, criados em maio daquele ano. Uma das exigências: “que possuísse boas águas”. E nisto a Comissão acertou em cheio. Porém, embora Araranguá contasse com muitos mananciais, ao longo das décadas a água para abastecimento da população só podia ser obtida, ou diretamente nas fontes, ou em poços cavados, retirando de balde. Mais tarde, a água seria alcançada por bombas de poços artesianos, mas este recurso não era para todos.
Um lugar, em especial, a Barranca, por muito tempo o bairro mais movimentado da cidade por conta da estação ferroviária, sofria muito com a falta d´água, embora sua localização fosse tão próxima a um dos maiores rios do estado. Mas não somente a água do rio era imprópria para o consumo, como também a que vinha do subsolo não era potável. Uma caixa d´água chegou a ser instalada no bairro, transportando água de outra área, mas isto não resolvia o problema, tampouco era suficiente. Sobre isto, disse o ex-prefeito Osmar Nunes: “Antes tinha uma ponteira, numa casa mais afastada, em direção à Garajuva. Dali fornecia água por um caninho de plástico até uma caixa d’água na Barranca”. Para não faltar água em casa, qual a solução para os moradores da Barranca? O trem.
Segundo o sr. Alveri Aguiar de Sá, “o trem chegava, abastecia a caldeira, porque era tocado a vapor, aí tinha muita água, e quando chegava ali, o pessoal já ia com os baldes nas torneirinhas pra levar água pra casa”. O sr. Dolar Pessi também mantinha fortes lembranças da mesma cena diária da Barranca: “chegava de tardezinha, era aquela mulherada toda de balde, já na fila, uma atrás da outra pra pegar água”. Segundo o sr. Ariovaldo Pereira “quando o trem chegava ali pelas 18 horas, como não tinha água na Barranca, as pessoas pegavam água no trem. Era fila, pra não dar briga. Era assim, só depois veio o SAMAE.”

Estação de Ferro Tereza Cristina - População pegando água no trem - Foto José Genaro Salvador

A criação do SAMAE foi o ponto de partida para garantir que a população araranguaense tivesse em sua casa o que era abundante na natureza do município. Foi um começo difícil, apenas o primeiro passo da caminhada da autarquia municipal, criada na gestão do prefeito Osmar Nunes, em 1969, cujos investimentos para a sua estruturação e consolidação seguiriam pelas sucessivas administrações.
Segundo o ex-prefeito Gercino Pasquali, que sucedeu Osmar Nunes, “á água foi um desafio. Pagamos todo o financiamento que tínhamos no BID e liberamos. Então o Ministério da Saúde fez um convênio com a prefeitura e foram abertos 8, 10 postos de 80 metros de profundidade, de onde saía a água. E assim foi, tomamos a iniciativa de colocar água para Araranguá. Também colocamos água na Barranca, que era uma tristeza!”
Um dos investimentos mais importantes da história inicial do SAMAE, foi a construção da caixa d´água do Morro Centenário, no início da década de 1970. Outras inaugurações se seguiram e o SAMAE foi crescendo, transformando-se numa autarquia imprescindível para desenvolvimento de Araranguá. Atualmente, os principais mananciais de captura de água para o abastecimento da cidade são a Lagoa da Serra e o Açude Belinzoni. A preservação destes mananciais é decisiva para garantir água tratada para a população.

 

 

 

Historiadora responsável pela pesquisa, texto e curadoria: Micheline Vargas de Matos Rocha

 

Realização:
Prefeitura Municipal de Araranguá
Secretaria de Educação, Cultura e Esportes
Departamento de Cultura